Segundo ex-desenvolvedor, Ubuntu Phone oferecia uma experiência de usuário ruim


Um ex-desenvolvedor do Ubuntu Touch resolveu escrever um extenso post em seu blog para compartilhar tudo o que ele acredita ter feito com que o projeto Ubuntu Touch fracassasse. Estamos falando de Simon Raffeiner, também conhecido pela comunidade por sturmflut, que trabalhou no sistema operacional móvel desde o seu anúncio oficial em 2013, acreditando nas metas e objetivos propostos pela Canonical.

Ele trabalhou por cerca de três anos, até a metade de 2016, em várias coisas relacionadas especialmente com os Ubuntu Phones, o que inclui os aplicativos Click, relatórios de bugs e em tutoriais para que a comunidade pudessem se aprofundar mais no Ubuntu Touch. "Então eu acho que posso oferecer algumas reflexões sobre o projeto, seus desafios e onde poderíamos ter feito melhor", diz Simon Raffeiner.

O Ubuntu Phone não tinha como alvo um nicho lucrativo

Em sua postagem, Simon Raffeiner afirma que os maiores oponentes do projeto Ubuntu Phone eram ambos Android e iOS. Ele também acredita que o Ubuntu Phone não visou um nicho lucrativo e que a experiência do usuário oferecida nesses dispositivos era ruim.

"As pessoas que almejavam por uma terceira alternativa, na maioria das vezes, criaram uma nova alternativa não porque o Android ou o iOS tinham uma reputação ruim, ou porque eram muito limitados, ou deixaram as pessoas com uma experiência de usuário ruim, mas porque (com legibilidade) temiam um monopólio da Google. Então, competir com o Android e iOS não foi tão fácil como tem sido com a Microsoft e Red Hat em servidores", explica Simon Raffeiner.

Outro motivo que pode ter contribuído para o fracasso dos dispositivos Ubuntu Phone, é o fato de que os smartphones e tablets de vários fabricantes de dispositivos móveis como Meizu e BQ, eram difíceis de ser encontrados e entregues aos consumidores, de acordo com o desenvolvedor, embora o objetivo da Canonical fosse abocanhar apenas 1% do mercado mobile para manter ambos Ubuntu Phone e convergência mobile-desktop vivos.

"Lembro-me de alguém da Canonical dizendo que o projeto precisava conquistar cerca de um por cento do mercado mobile para se sustentar. Naquela época, isso se traduziu em vender cerca de onze milhões de Ubuntu Phones e alguns milhões de tablets por ano. Se você conseguir fazer pelo menos um euro/dólar por software e serviços por dispositivo, você pode facilmente pagar mais de uma centena de desenvolvedores, e isso é muito se você usá-los diretamente."

Outro fato curioso é que o projeto inteiro não era tão aberto e orientado pela comunidade como pretendido, ou pelo menos é isso que o ex-desenvolvedor sentiu durante seus anos trabalhando no sistema operacional móvel Ubuntu Touch.

"O Ubuntu para dispositivos móveis deveria ser tão aberto quanto o Ubuntu "normal", mas não era", afirmou Simon Raffeiner.

Você pode conferir a postagem oficial completa de Simon Raffeiner clicando aqui.


FONTE: Softpedia | Lieberbiber

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