Como começar a usar Linux: um pequeno guia para iniciantes


Se algum dia você cogitou experimentar o sistema do pinguim, saiba que o universo Linux está pronto para recebê-lo, com um número enorme de softwares gratuitos e de código aberto, bem como centenas de distribuições Linux, uma para cada gosto graças aos seus diferenciais, e vários ambientes gráficos que proporcionam uma experiência familiar a do Windows (como o KDE e Cinnamon) ou algo totalmente diferente (como o GNOME).

Tudo, desde a instalação de softwares até drivers de hardware, pode até funcionar de forma diferente no Linux, porém, é mais fácil do que você pode imaginar. Isso acontece graças as lojas de aplicativos e ferramentas criadas especialmente para gerenciar drivers que facilitam e muito a vida dos usuários na hora de obter um novo aplicativo ou quando se quer instalar uma nova placa de vídeo. Contudo, separamos nesse artigo algumas coisas que você deve saber para começar a desbravar o universo Linux.

Escolha e baixe uma distro Linux

O primeiro passo é escolher uma distribuição Linux. Como mencionado no início do artigo, existem várias distros que junto ao kernel Linux oferecem também diversos aplicativos, ambiente gráfico, ferramentas, recursos e muito mais. Cada uma delas conta com uma combinação desses elementos em um único sistema operacional que você pode instalar.

O site DistroWatch pode oferecer um bom resumo das principais distribuições Linux mais usadas que você pode querer experimentar. Entre elas está o famoso Ubuntu, um ótimo lugar para os curiosos que vem do Windows, simplesmente por procurar facilitar a vida dos usuários em tarefas do dia a dia.

Outras distribuições Linux recomendadas para qualquer usuário iniciante são o Linux Mint e Deepin. Ambas as distros são baseadas (ou derivadas) no Ubuntu e oferecem ambientes gráficos um pouco mais tradicionais, diferente do Ubuntu, que atualmente oferece o Unity.

Deepin, uma das distros Linux mais recomendadas para iniciantes.

Após escolher e baixar gratuitamente a imagem ISO da distribuição Linux que aparenta ser a mais interessante para você (escolher a melhor possível não é a sua primeira prioridade), é hora de criar um pendrive USB bootável da sua distro, algo que pode ser feito com a ferramenta Win32 Disk Imager (disponível apenas para Windows) ou Etcher.

A utilização de ambas as ferramentas mencionadas acima é bastante simples. Basta escolher a imagem ISO da distribuição Linux que você baixou e, claro, o pendrive que você que gravar a ISO para que o processo possa ser iniciado.

E antes que você pergunte: a inicialização de uma distribuição Linux a partir do USB 3.0 é mais rápida do que a inicialização através de um DVD nos dias de hoje, e mais versátil, dado que alguns computadores não incluem mais um leitor de DVD. Contudo, se você quiser usar um DVD para experimentar ou instalar a distro escolhida por você, não há nem um problema nisso, mas lembre-se que o desempenho pode ser melhor com um pendrive.

Iniciando a distro Linux em modo live

Após gravar a imagem ISO da distribuição Linux, reinicie o seu computador. Caso a sua máquina não inicie automaticamente com o pendrive ou DVD, será necessário alterar a ordem de inicialização da BIOS ou UEFI, ou selecionar um dispositivo para a inicialização durante o boot.

Geralmente para entrar no seu BIOS ou UEFI no desktop, você deve pressionar a tecla Del ou F12 durante o processo POST (antes do Windows iniciar o boot). Contudo, alguns notebooks mais modernos não lhe dão a opção de entrar no UEFI apenas pressionando alguma tecla. Se você não tem certeza sobre como entrar na tela de configuração do UEFI, o melhor a se fazer é consultar o manual do usuário da sua máquina.

Quando finalmente você conseguir iniciar o seu pendrive ou DVD, dependendo da distribuição Linux que você escolher, surgirá na tela ambas as opções para experimentar a distro em modo live ou instalar na máquina.

Caso você escolha testar a distro Linux, para sair do modo live, basta reiniciar seu computador e remover o DVD ou pendrive.

Usando Linux em uma máquina virtual

Com ferramentas de virtualização gratuitas, como o VirtualBox, você poderá experimentar várias distribuições Linux, aprender como instalá-las e conferir como pode ser fácil obter novos aplicativos, por exemplo. Caso necessário, quando você terminar de usar alguma máquina virtual (VM), poderá excluí-la sem problema.

Contudo, a desvantagem de se utilizar a virtualização para experimentar distribuições Linux é o seu desempenho reduzido devido a sobrecarga, embora isso seja sanado caso sua CPU tiver suporte de virtualização incorporado. A Intel chama seu suporte de virtualização de VT-x, enquanto da AMD é chamado de AMD-V. Para aproveitar esta tecnologia, você também precisa ter certeza de que o suporte à virtualização está habilitado em sua placa-mãe (no UEFI ou BIOS) também.

Além de um baixo desempenho, as máquinas virtuais geralmente não terão acesso direto ao hardware, o que inclui as placas de vídeo.

Apesar das desvantagens, se você está curioso sobre o sistema do pinguim, porém, não está pronto para instalá-lo no seu PC, a virtualização oferece uma ótima maneira de experimentar as distribuições Linux de forma mais profunda sem a necessidade de fazer quaisquer alterações no seu HD.

Mas se você quer dar o próximo passo e instalar a distribuição Linux no seu PC, as distros oferecem a opção de serem instaladas ao lado do Windows, onde você pode escolher qual sistema operacional usar durante o boot.

Sua área de trabalho

Dependendo da distribuição Linux e do ambiente gráfico que você escolher, a sua área de trabalho e aplicativos instalados terá variações, embora a maioria cubra suas necessidades típicas. A maioria das distribuições Linux é fornecida com o navegador Firefox, por exemplo. Mas, se você preferir, o Google Chrome fica a poucos cliques de distância.


A sua área de trabalho deve ter todos os principais componentes padrões: um menu de aplicativos, algum tipo de barra de tarefas ou dock, e uma área de notificação ou "bandeja do sistema". Clique para ver o que tudo faz. Você também deve encontrar uma coleção de utilitários de sistema que permitirá que você configure seu hardware e que faça seu ambiente gráfico funcionar da maneira que você quiser.

O ambiente gráfico Unity do Ubuntu 16.04 pode ser peculiar, mas está repleto de recursos úteis que você nunca encontraria por conta própria, como o HUD. Se você escolheu o Ubuntu 16.04 (ou versão anterior) para experimentar, esteja ciente de que o Ubuntu estará abandonando o Unity em futuras versões para usar o GNOME, que vem por padrão no Fedora e em outras distribuições Linux.

Obtendo novos softwares

A instalação de novos aplicativos nas distribuições Linux funciona de forma muito diferente da instalação de softwares no Windows 7, por exemplo. Você não precisa abrir seu navegador para procurar por novos programas. Em vez disso, procure pelo software desejado na loja de aplicativos (ou gerenciador de software).

Loja de aplicativos do Deepin.

Alguns aplicativos — particularmente de código fechado, como o Google Chrome, Steam, Skype e outros — podem ter que ser instalados fora do gerenciador de softwares da distribuição Linux. Mas cheque a loja de aplicativos primeiro — ficará surpreso com os aplicativos que podem estar disponíveis nos repositórios da sua distro.

Mas, se você não conseguir encontrar o aplicativo que você precisa, você pode baixá-lo diretamente do seus site oficial, assim como você faria no Windows. Apenas certifique-se de baixar o pacote do instalador projetado para a distribuição Linux que você está usando. Em seguida, dê um duplo clique no arquivo baixado para instalá-lo.

E os drivers, como é que ficam?

Ao contrário da crença generalizada, você provavelmente não precisará instalar drivers de hardware manualmente quando você instalar a distribuição Linux. A maioria dos drivers de hardware que você precisa são incorporados na distro. Contudo, ainda existem alguns drivers proprietários de que você certamente irá precisar, especialmente quando se possui uma placa de vídeo NVIDIA e se quer obter um alto desempenho, seja durante as jogatinas ou quando se usa aplicações de gráficos 3D, como o Blender.

Ferramenta para instalação de drivers no Ubuntu e distros derivadas.

No caso dos gráficos Integrados da Intel ou das placas de vídeo da AMD, os drivers open source mantidos por ambas as empresas (com a ajuda da comunidade Linux) já dão conta do recado.

No Ubuntu, Deepin e Linux Mint, você poderá instalar drivers facilmente através de uma ferramenta presente na distro, se necessário. No entanto, algumas distribuições Linux podem não ajudar você a instalar drivers. Mas, felizmente, a maioria das distros tem páginas de ajuda para pessoas que possuem placas de vídeo NVIDIA, por exemplo, e que querem instalar o driver proprietário, que é o recomendado para um melhor desempenho.

Sim, distros Linux são familiares

Apesar da curva de aprendizado, que pode variar dependendo da distribuição Linux que você escolher, algumas distros Linux devem ser familiares para quem usa o Windows. Você encontrará janelas, menus de contexto, painéis de controle e muito mais. Além disso, muitos dos aplicativos que você usará nas distribuições Linux são programas populares que você já usa no Windows, como o Skype, Firefox, VLC, Steam e muitos outros.

Agora você tem o conhecimento básico de que precisava para começar a usar Linux. Não esqueça de compartilhar suas experiencias com a gente!


FONTE: PCWorld


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