Segundo dev do DXVK, ''muitas coisas provavelmente não teriam acontecido sem o apoio da Valve''


Para aqueles que não estão muito ligados no assunto, o DXVK é um projeto que fornece uma implementação que permite rodar o D3D11 e D3D10 sobre a Vulkan no Wine. Também é parte do que faz com que o Steam Play (Proton), da Valve, funcione. Em termos simples, os jogos criados para rodar no Windows via DirectX podem ser executados com o DXVK/Proton, para que possam funcionar no Linux.

Em entrevista ao GamingOnLinux (GOL), o desenvolvedor do DXVK, Philip Rebohle, revelou mais detalhes sobre como iniciou e o que inspirou o seu projeto, o que motivou a Valve a contratá-lo e aproveitou para dar seus pensamentos sobre o Steam Play. Confira agora mesmo o bate-papo completo:

GOL: Em primeiro lugar, como desenvolvedor do DXVK, como você começou com a Vulkan e o DirectX?

Philip: Eu sempre tive interesse em programação gráfica e usei OpenGL no passado para alguns projetos de hobby que nunca realmente evoluíram para algo útil, e comecei a experimentar com a Vulkan assim que ela foi lançada.

Meu primeiro contato com o D3D11 foi quando tentei depurar um problema de renderização com um jogo D3D11 no wined3d, mas como a maioria de seus conceitos são muito parecidos com o que temos no OpenGL e Vulkan, não foi muito difícil descobrir. Exceto, é claro, pelas partes em que a documentação da Microsoft é terrível, e há muitas... Desculpe, eu tinha que reclamar disso.

GOL: O que te deu a ideia para o DXVK? Por que você decidiu fazer isso?

Philip: É uma combinação de estar insatisfeito com o desempenho da própria implementação do D3D11, não querer mais inicializar o Windows e se inspirar no projeto VK9, que eu vinha monitorando há algum tempo. E eu realmente queria que um jogo específico funcionasse.

GOL: Já que você é contratado pela Valve, como isso aconteceu? Deve ter sido um choque inicial ter a Valve se aproximando de você?

Philip: Não foi tão espetacular - eles me contataram quando a notícia se espalhou que o DXVK poderia rodar o Nier [NieR:Automata] no final de janeiro, e quando me pediram para trabalhar em tempo integral no projeto depois de uma conversa amigável, eu realmente não podia recusar.

Há muitas coisas que provavelmente não teriam acontecido se a Valve não tivesse apoiado o projeto - como ter desenvolvedores de drivers corrigindo seus drivers Vulkan para o DXVK ou reportando bugs, ou ter a Vulkan obtendo uma extensão para transform feedback [que anunciamos em outro artigo].

GOL: A Valve dá muita interferência na sua liderança no DXVK ou você continua trabalhando nele livremente, simplesmente com o apoio da Valve para lhe dar mais tempo?

Philip: Há algumas coisas que eu provavelmente não teria feito sem ela [a Valve] solicitar isso, como adicionar suporte ao OpenVR ou focar em determinados jogos logo no início, ou tentar extrair mais desempenho de cargas de trabalho específicas. Mas passei a maior parte do tempo apenas melhorando a compatibilidade e desempenho geral dos jogos.

GOL: Tem havido muito questionamento sobre anti-cheat, coisas como Easy Anti-Cheat, BattlEye e assim por diante, onde os jogos não serão executados no Steam Play/Wine. As pessoas parecem confusas onde o problema realmente está. É algo que o Wine precisa resolver para suportá-los?

Philip: Certamente não sou especialista em tecnologia anti-cheat ou DRM, mas aqueles que não funcionam normalmente são muito invasivos, acessam as APIs do kernel do Windows, contam com APIs não documentadas e podem impedir a depuração. Tudo isso faz com que seja muito difícil para o Wine suportá-los.

GOL: Como foi a recepção do DXVK? Isso mudou desde o Steam Play?

Philip: Depende de quem você pergunta. As pessoas que só queriam jogar seus jogos no Linux ficaram entusiasmadas quando o DXVK começou a rodar mais e mais jogos, e parte da comunidade do Wine não está exatamente feliz por ser um projeto separado, e há, claro, aqueles que não gostam do Wine.

Isso mudou desde o Steam Play? Acho que não. As coisas só se acalmaram um pouco com o tempo. Muitos dos que usam agora o Proton usavam antes o Wine, Lutris, DXVK e etc. E os novos usuários parecem estar felizes com o Proton como um todo, do qual o DXVK faz parte.

GOL: Alguma esperança para o futuro do DXVK? Como você se sente sobre as preocupações dos desenvolvedores com isso possivelmente causando menos ports nativos para Linux?

Philip: Espera-se que cumpra a sua finalidade e faça com que os usuários que atualmente executam dual-boot ou algumas configurações loucas de VMs para jogos possam mudar para o Linux como sua principal plataforma de jogos e talvez atraia alguns novos usuários.

Eu realmente não sei se isso reduzirá o número de ports nativos. Talvez, talvez, tenhamos mais ports devido a uma maior participação de mercado, talvez alguns estúdios adotem a Vulkan para ter melhor compatibilidade com o Proton - tudo pode acontecer. E enquanto eu daria uma boa entrada sobre o Wine em qualquer dia da semana, há uma coisa que todo mundo parece esquecer nesta discussão: aumenta o número de games jogáveis em nossa plataforma, e isso não pode ser uma coisa ruim.


FONTE: GamingOnLinux

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